O perigo da imigração

RICARDO MINI copy  SOCIEDADE

REFLEXOES DE RICARDO copy

E se agora viesse aí um índio, um preto, um muçulmano, um hispânico ou um asiático e dissesse “Eh pá, os europeus é tudo uma cambada de terroristas. Vieram de barco até à minha terra no século XV, chegaram aí, meteram um pelourinho e disseram que isto era tudo deles, armados até aos dentes começaram a disparar contra nós só porque não lhes queríamos dar acesso aos nossos recursos. Vieram para aí e ficaram com as nossas árvores, os nossos rios, os nossos cocos e as nossas bananas. E, ainda por cima, os nossos líderes não quiseram saber de nada! Deixaram-nos vir, deram-lhes benefícios, fomos nós parar à miséria porque não só nos levaram as bananas, os cocos, as árvores e a água, como ainda nos obrigaram a trabalhar para eles por uma ninharia! Trabalhámos de sol a sol, fomos espancados, chicoteados, violaram as nossas mulheres, os nossos filhos e filhas, cortaram-nos mãos, cortaram-nos braços, condenaram-nos à fogueira e à cruz porque não queríamos seguir a religião deles! E obrigaram-nos! Vieram para aqui, e agora? Perdemos tudo! Ninguém nos quis ouvir na altura! Nós bem achámos que ia dar merda, mas ninguém nos ouviu! Porque os nossos líderes também ganharam com isso!

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E, hoje em dia? Hoje em dia, ainda andam por aqui! Destruíram a nossa economia, deixaram-nos à mercê deles porque se apropriaram dos recursos, mataram-nos, destruíram as nossas casas em guerras consecutivas e intermináveis. Continuamos a trabalhar como escravos para eles, pagam-nos uma miséria como sempre, levamos com o lixo deles nas nossas terras, bebemos a água que esse lixo contamina, sofremos com as tempestades provocadas pelas alterações climáticas criadas pelo lixo que produzem, pelos carros que conduzem, pelas fábricas onde transformam os nossos recursos noutros para os das terras deles consumirem, pelas minas que abrem e onde nos obrigam a trabalhar sem proteção, pelas terras e terras sem fim que nos roubam para fazer super plantações para alimentar os animais que nós deixávamos andar na natureza e que caçávamos por necessidade, mas de uma forma sustentável, e que eles domesticaram e aprisionaram em jaulas, em pocilgas, em aviários, e que engordam para enviar para casas de morte onde os fazem sangrar e vomitar sem poderem ripostar. Mais aqueles que vêm caçar às nossas terras e com os quais estão a acabar para fazer roupa de que não precisam. Nós bem sabemos que não precisam, porque passamos os dias a costurar a roupa pela qual eles pagam dezenas, centenas e milhares de euros ou dólares, e que vem de volta para os nossos países quase por usar, que compramos com poucas moedas, só porque já ninguém quer saber dela. Gastam recursos, não porque precisam, mas porque querem saber e depois deixam de querer saber, mesmo que a coisa ainda esteja boa. Qualquer mínimo estrago, mandam para o lixo e compram novo. A maior parte das vezes, nem estragos tem, é só porque passou de moda.

Esta gente invadiu as nossas terras, destruiu as nossas casas, roubou-nos os recursos, escravizou-nos, impôs-nos a sua religião pela violência. E ainda são estes os valores que querem que respeitemos?”

Ricardo Lopes

 

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